O meu percurso nunca seguiu uma linha reta.
Foi feito de tentativas, desvios, dúvidas e muitos ajustes.
Foi através da experiência — e não de certezas — que fui aprendendo a escutar-me, a respeitar o meu ritmo e a transformar cada erro em informação. Aos poucos, esse caminho levou-me a colocar-me ao serviço da criação de espaços que nutrem, sustentam e acompanham quem os habita.
Hoje, tudo o que faço nasce dessa vivência:
da não linearidade, da tentativa e erro, e da convicção de que o espaço certo pode apoiar profundamente os nossos processos de mudança.
Na juventude, acreditei que o desenho e a dança poderiam vir a ser a minha atividade profissional. Com o tempo, fui-me afastando desse caminho até me formar em Engenharia Bioquímica e trabalhar durante vários anos na área da aviação. Foi um percurso exigente, estruturado e tecnicamente sólido — mas que, a certa altura, deixou de dialogar com quem eu me estava a tornar. Com uma vida profissional estável, ousei resgatar a dança dos confins dos meus sonhos reprimidos, mas a vida tinha outra coisa reservada para mim.
Em 2020, comecei a pôr tudo em causa e iniciei uma jornada pela decoração de interiores. A minha natureza empreendedora, criativa e inquieta abriu novos horizontes, mas também me confrontou com uma sensação persistente de escassez — de tempo, de recursos e de conhecimento. Durante algum tempo, vivi num ciclo constante de procura por “mais”: mais formação, mais validação, mais certezas. A sensação de ser menos que os outros foi o impulso para mudar muitas vezes à procura do meu lugar e de reconhecimento.
Desde então, aprofundei a minha formação em áreas tão diversas como design, marketing, gestão de projetos e desenvolvimento pessoal. Foi nesse processo que comecei a reconhecer a pertinência e a originalidade de uma ideia antiga — e durante muito tempo mal compreendida — de fundir decoração de interiores com desenvolvimento pessoal. Contudo, só quando reconheci que o que me movia era o medo de não saber o suficiente, pude transformar. Agora o que me move é a curiosidade pura: procuro sempre saber mais, não por medo, mas por pura curiosidade.
Reconhecer a forma como a minha energia se manifesta tem sido um exercício contínuo de paciência e amor-próprio. Tenho uma energia naturalmente abundante, mas durante muito tempo nem sempre a direcionei de forma alinhada, o que me levou a períodos de frustração e esgotamento. Foi ao criar espaço para escutar a minha intuição e ao priorizar o que verdadeiramente me traz regozijo que comecei a ver as oportunidades aproximarem-se com mais naturalidade. Não é um caminho linear nem oferece garantias externas, mas aprendi a abraçar a tentativa e erro e a reformular a minha noção de sucesso. Hoje, sucesso é viver e criar em coerência com a energia que sou — com mais verdade, menos esforço e respeito pelo meu ritmo.
Criar um espaço que me nutre e sustenta tornou-se uma prioridade e uma forma concreta de autocuidado. É através do espaço que encontro o fôlego necessário para me recentrar e ganhar clareza. Amplitude de perspetiva, elevação da estética e contacto com a natureza são características das quais já não abdico nos ambientes onde vivo e trabalho. Hoje reconheço, com clareza e experiência vivida, que o ambiente onde vivemos e trabalhamos pode ser um reflexo da nossa essência. Ao olhar em perspetiva, vejo como, ao longo da minha vida, os momentos de mudança pessoal ou profissional estiveram muitas vezes ligados à necessidade de adaptar o espaço físico por razões que iam muito além da estética ou das tendências.
O meu percurso foi feito de tentativas e desvios. Foi assim que aprendi a escutar-me e a criar espaços que nutrem e sustentam.
Na juventude, o desenho e a dança foram possibilidades reais. Acabei por seguir um percurso técnico, formando-me em Engenharia Bioquímica e trabalhando vários anos na aviação. Foi um caminho estruturado e exigente — mas que deixou de dialogar com quem eu me estava a tornar.
Em 2020, comecei a pôr tudo em causa e iniciei uma transição para a decoração de interiores. A criatividade abriu horizontes, mas trouxe também escassez e insegurança. Durante algum tempo, procurei mais formação e validação, até perceber que a mudança precisava de começar em mim.
Aprofundei formação em design, marketing, gestão de projetos e desenvolvimento pessoal. Foi assim que reconheci a força de uma ideia antiga: unir decoração e desenvolvimento pessoal. Quando deixei de aprender por medo e passei a aprender por curiosidade, o meu trabalho transformou-se.
Tenho uma energia naturalmente abundante, mas nem sempre a direcionei de forma alinhada. Aprendi a escutar a intuição, a aceitar a tentativa e erro e a redefinir o sucesso. Hoje, criar em coerência com o meu ritmo é a minha prioridade.
Criar espaços que me nutrem tornou-se uma forma de autocuidado. Amplitude, estética consciente e contacto com a natureza são essenciais para me recentrar e ganhar clareza. O espaço, para mim, é um reflexo vivo de quem somos e de quem nos estamos a tornar.